terça-feira, 30 de setembro de 2008
Perguntas Recorrentes - Parte I
Tenho ouvido perguntas que me perturbam muito. Algumas pela tamanha idiotice e outras pela freqüência impressionante que ocorrem. Adoro que perguntem as coisas, de verdade! Mas tem coisas que... Melhor eu dizer logo:
Por que você é branco assim?
R: Sou albino. Não sou estrangeiro! Não sou doente como o Michael Jackson e não sou da Albânia! Procura no Google, caramba!
Por que seu cabelo é dessa cor?
R: Pelo mesmo motivo que o seu é assim. Segue um padrão cromático natural de acordo com sua fisiologia oras! Compliquei? Simplifico: Não tenho pigmentação nem na pele e nem nos pêlos e antes que me perguntem NOVAMENTE sobre os pêlos pubianos eu já respondo: Sim! Também são claros. Que cor queria que fossem? Azuis? Verdes?
Sua barba é de verdade?
R: Não. Eu monto minha barba todo dia com piaçava, anilina e cola branca, cacete! Que pergunta esquisita! É de verdade sim, assim como tudo meu. E não me venham chamar de Papai Noel ou serei obrigado a mostrar o saco!
Por que seus olhos dançam?
R: Por que eles não sabem cantar!
Você é ateu?
R: Não contexto a existência de Deus (não com a veemência que gostaria de conseguir), apenas decidi não ser um dos seus seguidores. Não sou cristão, budista, judeu, indú, islâmico nem nada assim. Apenas não me vejo na necessidade de usar figuras emblemáticas do imaginário onipotente para resolver minha vida ou responder o que minha inteligência ou falta de disposição à pesquisa não me permitem saber.
Mas você não vai se casar então?
R: Sim! Vou me casar, sim! Encontrei alguém muito especial que me fez rever mais seriamente essa história de casamento. Seguirei todos os processos litúrgicos necessários para que a cerimônia seja executada como sonhado por minha Branquinha, mas isso não me converte a religião A nem B! O acordo será feito entre eu e ela. Já é o bastante pra mim.
Você é gay?
R: É incrível como ainda ouço essa pergunta... Não sou afeminado, não uso cores gritantes ou que dêem margem a esse pensamento... Além de meu cabelo longo... Não, não pode ser apenas o cabelo... Me recuso a pensar que o povo que me circunda é tão quadrado. Respondendo: Eu NÃO sou gay. Tenho uma namorada que amo muito. A mulher da minha vida e não tem por que continuar a responder essa pergunta educadamente... A próxima vez que me perguntarem isso vou responder com um bem sonoro “vai tomar no cú!”.
Mas você não acha que deve se amar antes de querer que a outra pessoa te ame?
R: Em que momento de minha curta vida de 24 anos eu explicitei ao mundo falta de amor-próprio? Caraca! Eu me amo! Eu me amo tanto que me levo para passear, compro sempre minhas comidas favoritas, vejo os filmes que mais gosto, me dou banho e ainda me ponho pra dormir! É verdade que brigo comigo mesmo às vezes, mas sempre me perdôo... Sou uma puta de mim mesmo: me bato, me satisfaço e me perdôo. Simples assim!
Quando é que você vai crescer?
R: Estou crescendo agora mesmo. Se quer saber quando vou deixar de ser bobo, divertido e brincalhão, lamento cara, porque não está em meus planos. Quando não conseguir transformar um problema em graça, ele se tornará pesado demais pra eu resolver como me condicionei a fazer e desse modo precisarei cada vez mais da intervenção obrigatória de terceiros em minha vida e isso é algo que não me agrada. Quero ter muitas intervenções de terceiros, mas preferencialmente que elas ocorram por outros motivos além de minha incompetência!
Por que você fala tanto se nem tem gente te ouvindo?
R: Nasci com uma boca e um cérebro em perfeito funcionamento. A falha não é minha e sim daqueles que não usam seus ouvidos. Não desejo exclusividade. Continuo falando por que mesmo sem prestar atenção captamos muita informação involuntária na vida. Que assim seja. Como meus olhos nunca foram os melhores, aprendi a usar meus ouvidos desde cedo e somente esse fator me faz um bom falador. “Você nasceu com dois ouvidos, dois olhos e uma boca. Será que isso não te diz nada?”
Você é elétrico às vezes, mas volta e meia tá triste de novo. Por quê?
R: A lua que viu brilhar no céu ontem a noite é a mesma da noite anterior e será a mesma de hoje... A lua é a mesma, mas a noite é outra.
Você é feliz?
R: Mais do que mereço.
Sorria, pois ainda é possível e permitido fazer isso.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Sussurros e Canções

Um homem escancarou a porta em fuga de algo.
Boa parte das pessoas ficou de pé ou de prontidão olhando para a entrada do estabelecimento.
Ele entrou tropeçando e dizendo:
HOMEM – Uma “Tocada”... Uma “Tocada”!
As atenções voltaram-se para a porta e lá estava uma mulher.Seguramente com mais 60 anos, vestida com mantos sobrepostos a uma túnica branca de barra prateada. Ela se apóia num cajado de madeira de ponta curva que lembra uma asa de pombo.
“GARÇONETE”– (sussurrando) É Donatyr!
A velha deu dois passos para dentro do estabelecimento e fechou a porta com o cajado numa destreza surpreendente.
DONATYR – Vocês bebem, comem e se divertem e nem se dão conta de que o mundo a sua volta perece!
BÊBADO – AH CALA A BOCA!!
Ela apontou o cajado em sua direção e ele caiu sentado em sua cadeira... Olhou em volta e seu semblante e postura mudaram totalmente... Ele está sóbrio!
DONATYR – Venho para esclarecê-los para que no futuro a culpa não seja lançada aos inocentes...“
Existirá também aqueles que se aproveitarão do caos.
Terá aqueles que comandarão os mortos na aquisição de mais soldados.
E terá também quem lute contra isso, mas infelizmente os predispostos a esse papel já começaram a ser assassinados.
Esse tempo não está tão distante assim. Para Algumas cidades ele já chegou e isso marca o início da ERA DOS SUSSURROS E CANÇÕES.
***
Um guarda entrou com uma bolsa repleta de pergaminhos à mostra. Olhou para ela e encostou junto a porta agora fechada.
É incrível o modo com que ela consegue prender a atenção de todos...
***
DONATYR - Um momento onde um nome valerá tanto quanto a alma ou respeito-próprio.
Surgirão nomes de heróis que serão cantados em volta do fogo para que as gerações seguintes sigam seu exemplo e serão descobertos nomes que deverão ser apenas sussurrados, pois sua simples menção em voz alta será responsável por trazer desgraças e infortúnios piores do que a morte para toda uma localidade.
Poucas serão as famílias, muitos serão os filhos sem pais.
E tudo isso por que alguém conseguiu entrar no Castelo das Cinzas e arrancar o coração do Arcanjo da Morte.
Lídia, a personificação da Morte decidiu então vingar-se da não-reação divina e mandou Pietra, o Arcanjo Negro - também conhecida como Parúsio do Fim* - causar no mundo dos homens tanta dor e revolta que as forças divinas não se manteriam omissas por mais tempo.
Desse dia em diante em lugares dispersos no mundo alguma cidade, vilarejo ou região amanhece circundada por um nevoeiro espesso. È o sinal de que este lugar já está morto e que até mesmo os mortos de lá se levantarão.”
***
Um silêncio fúnebre se instala na taverna. Donatyr abre a porta com o cajado e sai andando.
Assim que Donatyr sai, o clima pesado se mantém no ar por alguns instantes; Todos estão um tanto sem ação, mesmo os céticos ou bêbados.
O guarda faz uma expressão de ter voltado a si com um tom grave de apreensão. Retira da bolsa um pergaminho e o prega na parede interna ao lado da porta. Depois olha para todos e sai apressado.
HOMEM - O que é um "Tocado"?
"GARÇONETE" - Tocados são os mensageiros do Parúsio do Fim. São videntes capazes de predizer grandes perdas e danos... Mas pra que isso pessoal... Vamos beber!!
Algumas pessoas foram ver o tal pergaminho...
GARÇONETE" - Vamos lá gente. Uma rodada por minha conta!
Alguns agitaram e vieram em direção ao balcão, outros gritaram de alegria... Já uns poucos leram o pergaminho e saíram apressados ou tristes.
Nenhum deles teve uma noite tranqüila de sono depois desse episódio...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Certas Lições São Pra Sempre - Os Frutos de Bernardo
Existiu um tempo em que o mundo era normal. Quando crianças eram crianças e adultos eram adultos. Onde velhos eram velhos e quando ainda se preferia sentar junto e conversar em família a sentar junto para ver televisão.
Um tempo onde ouvir um adulto contar uma história era algo instigante e acolhedor...
Em memória há tempos como este desenterro uma história que sempre me faz bem lembrar. Vou alterar alguns pontos pra florear esse conto, mas em sua essência é exatamente como eu ouvia toda vez.
Bernardo foi para a cidade quando jovem depois da morte de seu pai. Arranjou um trabalho e com o passar do tempo retomou os estudos que tanto prezava.
Estava sozinho no mundo, todavia cumpriu parte de seu objetivo na vida e tornou-se um policial para acabar com desordens em locais públicos que podem deixar feridas pessoas inocentes – como ocorreu com seu pai a tantos anos atrás.
Conheceu uma moça – Idalina era seu nome – e com ela começou a namorar como mandava a tradição – Bernardo aprendeu a respeitar as tradições e os conselhos dos mais velhos. Não demorou para que se casassem e menos ainda para que tivessem um filho logo tinham terminado de comprar a casa nova num bairro costeiro da cidade, o bairro de Pombal. Deu ao menino o nome de seu pai: Fabrício.
Eram enfim uma família, mas como estamos falando de uma história que se passa numa cidade quase do interior e num tempo onde não haviam preservativos em qualquer farmácia... Mais filhos vieram...
Ter um filho por ano é algo um tanto difícil de administrar, mas o que realmente assustava e frustrava o então senhor Bernardo era quando os mais velhos já sabendo falar perguntavam algo como:
- Papai de onde vem os neném?
Já havia cinco crianças na casa; Fabrício, o mais velho tinha 11 anos e ainda não tinha resposta para essa pergunta – Depois vinha Aninha com 10, Edmundo com 9, Flora com 7 e Feliciano com 6 anos.
Bernardo não sabia outro modo de dizer, mas lembrou-se então das palavras de seu pai em seu leito de morte quando o mandou embora de casa:
PAI – Mais triste que isso que to fazeno é ter tirado sua criancice. Me promete que vai ter fios e dá eles todo amor e liberdade pra ser criança enquanto tiver que ser. Me promete? Me promete que eles vão ser só criança até a hora de virar adulto?
Repetiu pra si mesmo baixinho: “ser só criança até a hora de virar adulto”.
Era assim que criaria seus filhos, mas não deixaria uma pergunta sem resposta. Aprendeu em outra ocasião que quando não responde uma pergunta direta: dá o direito da pessoa que perguntou de inventar uma resposta que terá de ser aceita como verdade por falta de uma verdade. Seus filhos teriam então uma verdade sobre o nascimento dos seus irmãos, mas não uma verdade adulta e não naquela hora.
Acontece que dessa vez a pergunta surgiu porque alguma das crianças ouviu uma conversa entre Bernardo e Idalina sobre o filho que ela estava esperando a pouco mais de três meses. O então senhor, respirou fundo, se abaixou para ficar na altura dos olhos de seu filho e respondeu:
BERNARDO – Olha meu filho, fica tranqüilo que eu vou acertar umas coisas e vou mostrar pra vocês todos de uma vez só, de onde vem os neném, ta bom?
O menino abriu um sorriso gigante. Sabia que era verdade por que seu pai nunca esquecia nada. E era verdade mesmo.
Poucos meses depois Bernardo conseguiu comprar um jipe usado pra sair com a família nos finais de semana, mas ele tinha outra coisa em mente quando comprou... Queria levar Idalina para ter seu filho num hospital pela primeira vez, pois todos os cinco filhos nasceram com o auxílio de uma parteira na cama do casal.
Idalina estava pronta para ter seu bebê, mas ela se recusou a ir para o hospital por que não queria que nenhum outro homem visse “suas partes”. Estava irredutível. A casa estava cheia de crianças correndo de um lado para o outro em festa por que novamente algum deles ouviu que este seria o dia da chegada de seu irmãozinho ou irmãzinha. A parteira estava nervosa com a gritaria e foi quando Fabrício voltou para seu pai e perguntou:
FABRÍCIO, O FILHO – Pai. Meu irmão vai chegar hoje, mas de onde que ele vem?
Num lampejo criativo Bernardo sorriu.
BERNARDO – Vem Fabrício se arruma! Se arruma que nós vamos pegar seu irmão que ta chegando antes que sua mãe grite de vontade de abraçar ele!
E começou a juntar as crianças e a arrumá-las.
BERNARDO – Todo mundo criançada! Rápido que a gente não pode demorar aqui senão perde a chegada do seu irmãozinho!
Conduziu as cinco crianças até o jipe. Beijou sua mulher que entendeu em silêncio o esforço para tirar as crianças da casa e voltou apressado para o automóvel.
FABRÍCIO, O FILHO – Onde a gente vai pegar ele papai?
BERNARDO – Deixa de ser besta menino, no aeroporto, oras!
Isso mesmo, no aeroporto!
Bernardo ligou o carro e saiu com uma velocidade de uns 10km maior que os outros carros na estrada. Disse às crianças que estava indo muito rápido e que não poderiam fazer bagunça até chegar lá pra não perderem o avião de seu irmão!
Explicou que Deus vê que o pai gosta da mãe e dá um filho de presente. Daí coloca ele num avião lá no céu com tudo pago e manda pra casa da gente. As crianças ficaram encantadas com a descoberta maravilhosa: Papai do céu da um filho dele para o papai!
Depois de dar algumas voltas no bairro do aeroporto e de ludibriar as crianças com cada avião que passava pelo céu, Bernardo finalmente decidiu parar no aeroporto. Tudo era mágico! O chão brilhoso, as divisórias de vidro, os uniformes engraçados dos funcionários e é claro os aviões! Ah! Nunca houve brilho mais intenso que o que emanava daqueles dez olhinhos colados no vidro olhando a pista com os aviões parados, taxe ando, pousando e partindo rumo ao céu! Bernardo ficou um pouco mais de longe observando suas marcas no mundo, seus frutos do amanhã; enquanto as crianças olhavam abismadas o vôo dessas aves gigantes de metal e se perguntavam coisas que somente crianças iriam querer saber:
- Será que todos eles vão para a casa do Papai do céu?
- Claro que não. Alguns vão descansá numa árvore grandona ou então naquela nuvem lá ó!
- Será que o vô Fabrício foi embora em qual desses?
- Eu acho que naquele ali que tem a linha azul, por que azul é pra menino e rosa e vermelho é pra menina...
- Onde tão os ovos do avião mãe?
- É... Eu também não vi nenhum ovo de avião...
- Seu burro! Avião num bota ovo! Bota elicópitu!
- Como nosso irmãozinho vai descer se ele num sabe andar?
- O avião vai abaixar bem baixinho pra ele num caí eu acho...
Bernardo não sabia como estavam as coisas em sua casa, mas torcia e rezava baixinho pra que tudo estivesse bem. Viu que as crianças estavam inquietas e decidiu voltar pra casa com elas. Já havia dado tempo o bastante... Pelo menos tanto tempo quanto levou todos os cinco partos anteriores a este...
BERNARDO – Ei meninos! Vem aqui...
As crianças vieram afoitas como manda a idade.
BERNARDO – Eu perguntei ao moço do aeroporto e ele me disse que se o menino não chegou até agora é por que ele não vem mais hoje...
A menor das duas meninas salientou:
FLORA - Ele pode ter descido antes pai...
BERNARDO – Meu anjo. Eles num deixa em qualquer lugar... Tem que ser onde o pai ou a mãe pode pegar, entendeu?
Os outros riram da “ingenuidade” de Flora.
No caminho de volta pra casa era nítido que as crianças estavam um tanto quanto decepcionadas ou mesmo tristes com a não-chegada do irmão, mas foram reanimados pelo pai que começou a contar histórias de cada um deles quando ainda menor. Que tarde gostosa foi aquela de volta pra casa!
Chegando em casa a porta da casa ainda estava fechada. Bernardo pediu para que as crianças esperassem no carro enquanto ia ver “uma coisa”...
Voltou poucos minutos depois com uma cara de besta e um sorriso de pendurar as orelhas:
BERNARDO – Ele chegou crianças! Ele chegou!
Foi uma explosão. Todos gritaram de alegria e pularam nos bancos do carro; e na base das cotoveladas e empurrões correram todos para dentro...
Lá estava dona Idalina... Deitada, fraca, mas sorridente e com um pedacinho de gente no colo. Um pedacinho rosa de gente; o novo fruto do então senhor Bernardo!
Estavam todos felizes e eufóricos.
A parteira saiu na surdina, mas esqueceu-se de um detalhe importante: os lençóis sujos no canto!
Aninha em meio a sua comemoração encontrou os lençóis ensangüentados escondidos no canto do quarto e gritou de medo. Pensou que de algum modo o sangue fosse dela. Idalina de pronto para acalmar a filha disse que o sangue não era da criança, mas dela mesma e antes que a fantasia se desfizesse Bernardo interrompeu sua mulher e disse:
BERNARDO – Flora... Você desculpa o papai? Eu falei uma coisa pra você e nem sabia que você que tava certa... A gente foi esperar seu irmãozinho lá no aeroporto, mas quando o avião passou aqui por cima da casa, seu irmãozinho viu sua mãe lá de cima e pediu pra descê. Daí jogaram ele lá de cima.
As crianças fizeram um sonoro “Oh!” em coro...
BERNARDO – Como sua mãe tava esperando a gente trazer ele do aeroporto, ela nem agarrou ele direito quando caiu do céu e aí se machucou. Por isso tem pano sujo de sangue ali, mas agora ta tudo bem né Idá?
IDALINA – É sim Nardin. É sim...
BERNARDO – Então vamos chamar esse molequinho de Alberto. Que nem o Santos Dumont. Tudo bem gente?
CRIANÇAS - Tudo!!!
BERNARDO - E viva o Alberto!
CRIANÇAS – VIVA!!!
***
E foi assim que aconteceu o nascimento de Alberto, o último filho de Bernardo e Idalina.
O mágico da história está não na invencionice em si – na capacidade de improviso de Bernardo talvez – mas no fato das crianças terem comprado à história. Acreditaram fielmente, e assim foi até terem idade o bastante para descobrir outras histórias de onde vêm os bebês e terem seus próprios bebês!
Que saudade e inveja de tempos como estes...
Que as crianças do futuro possam ser realmente crianças e que possamos ajudá-las com isso!
Abra bem os olhos e sorria, pois ainda é possível fazer isto.
INUTILIDADES PÚBLICAS - Pequeno, eu?
1. Eu já fumei cigarros mais grossos que isso.
16. Por que Deus está me punindo?
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Cicatrizes e Lágrimas - A Última Execução

Novas execuções marcadas e por mais que já houvesse outro carrasco contratado, o povo chamava por 'Hopkins, o justo’!
domingo, 7 de setembro de 2008
Cicatrizes e Lágrimas - O Último Crepúsculo

Seu navio – o Punhal Torcido - chegou de madrugada e antes que o sol tivesse nascido; todos os homens maiores de 15 anos daquele lugar já estavam mortos graças ao ataque cruel e definitivo de seus soldados.
Todas as mulheres foram levadas a sua presença e aquelas que ele gostou foram deixadas em seus aposentos para que pudesse possuí-las mais tarde.
Aquelas que ele não aprovava para tal eram entregues à tripulação.
As crianças foram abandonadas e por fim guiadas pelas mais velhas para as vilas vizinhas.
Quando as crianças voltaram acompanhadas de soldados 5 dias depois, o lugar estava todo queimado e no interior das ruínas da igreja foram encontrados os corpos de todas as mulheres escolhidas pelo Conde. Não estavam queimadas, mas tinham enormes buracos em suas barrigas e ferimentos em seus pulsos quase mutilados. Eram 21 mulheres.
Na praia foram encontradas as demais mulheres penduradas de ponta a cabeça no mar amarradas a estacas. Afogaram-se todas. Eram 35 mulheres.
Havia, porém uma criança viva na praia. Um menino de uns 8 anos, sentado de frente para as estacas. Seu olhar era fixo pra uma delas. Estava tremendo, mas não chorava. Suas lágrimas secaram com o passar dos dias.
Os guardas o levaram para a cidade de Orlindskya, mas nenhuma família quis cuidar dele. Seu nome era Allander, o único sobrevivente dos 3 filhos do casal Ballans depois da peste que assolou Crepúsculo 4 anos antes.
Allander Ballans foi entregue então a Casa (Igreja) de Algohr e estudou o clericato, mas não conseguiu entregar sua alma a este caminho, todavia tirou proveito das aulas de combate armado e cavalaria e não pensou duas vezes em ganhar o mundo assim que lhe foi oferecida à liberdade de ir explorá-lo.
Voltou até Orlindskya e descobriu que daquelas crianças apenas uma ainda vive. Seu nome é Morgan Zenis, um amigo da mesma idade.
Juntaram-se então para lutar contra atos cruéis como o que ocorreu em Crepúsculo e descobrir o paradeiro do Conde Derias para enfim conseguirem vingança.
Com o passar dos anos juntaram-se ainda com outras pessoas: o guerreiro Lestat e suas facas, o paladino Orich Shabal, o mago eremita Grutzar Berkrente e o mago negro Simão que até pouco tempo estava sendo dominado por um colar maldito destruído por Ballans.
Juntos formaram um grupo chamado de Poder da Justiça, que explica bem a que veio.
Descobriram que a Cidadela Emeral receberá em breve um circo e que nele está escondido um poderoso mago negro que transforma pessoas em animais e coisas para absorver sua essência. Descobriram que com a chegada do circo haverá um torneio de lutas e que Durkan, o degolador – um dos homens a serviço do conde Derias - vai participar o que torna a permanência em Emeral ainda mais importante.
O grupo está na cidadela a 5 dias pouco de incomum tem se visto...
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A Lona de Retalhos – O Circo das Purgações Frustradas.

A lona se abre para os olhares alheios
E o fim começa a se repetir
As cores nauseantes... Um excesso delas!
A lona é colorida,
Mas por conta do remendo de várias ao mesmo tempo;
Uma colcha de retalhos acima dos olhos curiosos!
Enquanto se acomodam surge o primeiro Narciso:
O palhaço triste tropeçando em ilusões.
Essas ilusões são dele ou dos alheios?
Envolventes demais para uma mente só...
São ilusões públicas!
Quando seus traseiros indicam quietude
Entra no picadeiro o apresentador louco, rouco, nu e bêbado
Falava tanto com seu silêncio que arrancou
Gargalhadas das velhas surdas,
Arrepios das donzelas com sua expressão corporal
E uma série de julgamentos auto-impostos dos rapazes e senhores.
Ele estava sendo natural?
Ele não seria o reflexo de vários rostos sem expressão?
Não importa! Ele apenas era.
Estava ali cumprindo seu papel
Isso que é importante não é mesmo?
Cumprir seu papel.
Os acrobatas das paixões
Apresentaram no picadeiro acrobacias sentimentais e joguetes amorosos,
Mas decidiram viver coisas novas simultaneamente
E ergueram o malabarista para o alto de uma pirâmide de reflexões.
“Não sei fazer malabarismo com tantos corações!”
Gritava o Narciso desesperado pra não se machucar.
Tarde demais.
Certas coisas sempre deixam feridos.
Não façam isso em casa queridos!
O apresentador louco, rouco, nu, bêbado
E agora avariado!
Precisou se discutir e deu espaço para a indolente mulher barbada
Conduzir o picadeiro do melhor modo impossível.
Quase afogou o escapista do tanque de lágrimas
E magoou os joanetes da bailarina gorda!
O homem tronco com seu coração machucado
A substituiu e se perdeu ao se encontrar
Em seus passos assustadoramente envolventes.
Num dos truques do mágico com o mundo real
O domador de lembranças e rancores
Tropeçou numa das ilusões, esquecida no picadeiro,
E foi tirado de cena.
O cara de pau com suas pernas de opiniões
Estava altamente interessado em baixar o pano
Mal sabendo ele que isso não é teatro...
Num truque de luz e som
Os olhares se voltaram para a lona de retalhos acima
Todos queriam ver o vai e vem e os saltos dos trapezistas dos sonhos,
Mas um deles acordou e acabou com a brincadeira.
Quando olharam novamente para o picadeiro
Haviam espalhados vários objetos espelhados
E foi então que os olhos alheios viram
Quem estava usando o nariz vermelho até agora.
Quem eram os Narcisos?
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Lírios no Abismo - Quinze Minutos

- Já tenho meus próprios demônios para enfrentar. Você não pode procurar outra bruxa pra atormentar?
Apesar da pouca luz é possível ver que o homem tem seu corpo magicamente alterado: suas roupas encardem e furam e seus tênis se desfazem em tiras de couro e plástico, sua pele ruboriza e seus olhos esbugalham. A voz que saí de seus lábios é rouca e irônica.
- Mas gosto de você – disse apontando para ela.
- Só que eu não gosto de você – respondeu de pronto a mocinha que tornou a virar-se e começou a caminhar novamente.
- Exatamente – ele correu para ficar ao lado dela - Eu te irrito.
- Acredito que não querer me ver nervosa...
- Muito pelo contrário criança, eu adoraria.
Ela lembrou de todas as vezes que foi chamada assim e parou dizendo:
- Vá embora Distreotah!
E aqueles olhos arregalados quase saltaram das órbitas.
- Como sabe meu nome? Como sabe meu nome se eu não o disse? Pelo menos há 120 anos não o ouço vindo de outros lábios que não os meus!
Ela tirou a franja de seu cabelo de cima de um dos olhos, prendeu atrás da orelha, sorriu e afirmou:
- Pois assim que o vi soube seu nome.
- Impossível! Está mentindo! Diga a quem recorreu para saber de mim!?
Ela parou e o fitou séria.
- A você mesmo.
- Minha mente! Pode ler minha mente?
Ela cansada de situações como essa cruzou os braços.
- E não somente ler, mas também vasculhar, pois não estava pensando em mim quando me aproximei de você!
Ele estava mesmo impressionado e de certo modo assustado. Lírio olhou para cima e viu acima das casas a torre do relógio da praça marcando seu atraso.
- Pois sim Distreotah, sabendo de apenas umas das várias coisas que posso fazer, quer desaparecer da minha vista?
- Agora mesmo é que não te deixarei em paz criança!
- É a segunda vez que me chama assim e eu não gosto. Será que é burro pra não saber que um corpo aparentemente jovem nem sempre quer dizer mente jovem, ou mesmo alma jovem? Sabe Distreotah, você está me cansando.
- Eu sei. É um dos efeitos de minha presença – se gaba de sua origem abissal.
- Então não perderei mais tempo com você. Vá embora agora e viverá parar atormentar quem quiser por mais alguns séculos.
- Ou o quê? Ousa me desafiar... CRIANÇA?
Ela olha mais uma vez para o relógio da torre e sem voltar seu olhar para ele pergunta:
- É verdade que até os demônios tem pesadelos?
Distreotah sentiu suas pernas tremerem e algo ofuscar seus olhos. Ela continuou.
- É verdade que até mesmo vocês não fogem ao tormento do sonho negro?
Os sentidos do capitão abissal estavam enlquecidos. Muitas imagens se misturando dolorosamente ante seus olhos, muitas feridas se abrindo e fechando em seus pulsos e pescoço.
- Sai da minha cabeça!
As imagens mutáveis e desordenadas começam a ganhar cor quente e depois brilho a sua frente... Uma silhueta que apesar de ao estar completa já causa o pior dos arrepios que alguém pode sentir.
- É verdade Distreotah, que o que mais teme é encontrar com um arcanjo?
Ele se contorce e se vira tentando evocar suas garras afiadas em vão...
- Não! Não!
Uma luz envolveu essa parte da calçada.
- Eu se fosse você não olharia pra trás...
Ele agiu mais que impulsivamente virando-se pra olhar.
- O quê? Não! Fique longe! Longe!
- Eu avisei Distreotah.
- Saiam daqui! Saiam!
E o demônio consegue evocar suas garras para o combate e se mutila em defesa a falange onírica que o ataca... Em sua mente apenas.
Lírio esforça-se para não se desesperar, mas acalma-se ao olhar novamente o relógio e ver que agora tem tempo sobrando para chegar ao seu compromisso e rememora uma lição antiga:
- O que é o tempo senão uma questão de respiração e concentração? Se algo te afeta ou controla, pode também ser afetado e controlado por ti.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
A Lona de Retalhos – Pegadas Polaróid
Nunca fui a um circo - Nem mesmo quando eles vinham até mim.
Existem dois momentos em minha história que ilustram bem isso:
No primeiro eu devia ter uns 3 anos de idade. Brincava na rua rente ao portão de minha casa quando um homem apontou na esquina. Parecia o HOMEM DO SACO: carregava um trambolho preto embaixo de um dos braços e acredite se quiser embaixo do outro braço trazia um cavalo! Um cavalinho de madeira. Sabia – com 3 anos de idade – que era de madeira, mas aquilo me preencheu com um medo tamanho que corri pra barra da saia de minha avó que lavava roupa no fundo do quintal chorando e gritando:
- Me ajuda vó tem um moço com um cavalo de pau ali!
Ela riu e eis que nesse momento o maldito “moço” aparece no portão do meu quintal.
- Foto tia? Quer tirar foto do menino no cavalinho?
Eu logicamente não quis. Chorei horrores, mas minha mãe acordou com o barulho (meu choro), achou lindo o cavalinho e hoje tenho aquela foto em algum lugar. Que cara de poucos amigos era aquela...
Descobri depois que o tal “moço” acompanhava um circo pra tirar fotos das crianças... Um parasita.
E no segundo momento devia ter uns 10 ou 11 anos quando vi ao longe uma mulher gigante! Corri! Corri como nunca antes tinha corrido pra descobrir que ela não era gigante; tinha apenas pernas grandes demais e o povo dizia que suas pernas eram de pau! Não entendi por que ela parecia tão feliz assim tendo pernas de pau. Eu choraria todo dia e morreria de medo de quebrar ou encher de cupim.
Criei coragem e fui até ela – acompanhado por outras 17 crianças... eu era a última logicamente. Só então notei que ela tinha tinta na cara toda e ainda assim conseguia rir a toa.
Uma banda marcial veio logo atrás acompanhada por vários palhaços. Um deles entregou um cone pra ela... Ela até que era engraçada, mas assim que falou do tal circo que tava chegando eu entendi a armadilha: Te faziam confiar pra depois aparecer um homem segurando um trambolho e um cavalo de pau pra tirar foto sua obrigado. Não, obrigado. De novo não. Fiquei um mês inteiro em casa vendo televisão e desenhando. Ganhei gosto por desenho, mesmo não sendo animado.
Tróia perdeu seus dias por conta de um cavalo de madeira... Eu também.
Minha mente criativa me fez o favor de configurar em imagens uma série de incômodos e estampá-los em minha memória em forma de pesadelos.
O mais comum é também o menos sanguinolento e o que mais me incomoda. Nele eu sempre acordava num parque e depois cavalgava um dos cavalinhos que se soltou do carrossel. Quando eu olhava para trás via que o cavalinho não deixava pegadas, mas fotografias no chão, daí ele me derrubava e me dava um coice, me presenteando então com duas fotografias: a menina que eu amei a vida toda aos beijos com o cara que detesto pra sempre e a outra foto era um túmulo e alguém próximo de mim chorando ali; nunca via quem era, mas sabia que era próximo de mim. Coisa de sonho. Eu sempre chorava nessa parte e as fotos do caminho todo vêm voando na minha direção... Cenas horríveis!
Sempre acordo desesperado... Acordava.
Um dia saindo da faculdade encontrei com uma figura do meu passado. O Homem do Saco.
Difícil. Muito difícil não perder a cabeça...
Faz 6 anos que saí da cadeia e está quase tudo pronto pra realizar meu sonho: Abrir um circo!
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
As Aventuras de Lady Steff - Os Anéis do Amor
A primeira história dessa série está no link abaixo:
As Aventuras de Lady Steff - Papi & Mami
http://miopiavirtual.blogspot.com/2008/08/as-aventuras-de-lady-steff-papi-mami.html
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Prestem muita atenção crianças: nossa história começa num mundo mágico chamado Fancia. Um lugar onde as pessoas são felizes e os sonhos estão mais perto da realidade. Um lugar onde as coisas mais confusas e complicadas podem parecer simples e as coisas simples nunca se complicam...
Bom quase...
Por que em Fancia tem algumas formalidades mágicas, principalmente no amor.
É assim: quando duas pessoas se apaixonam pássaros cantam ao chegar perto do casal, os doces ficam mais deliciosos quando divididos com quem gosta... E quando se decide que não quer mais morar longe, então se deseja com todo o coração para ficarem juntos e quando acordarem na manhã seguinte embaixo de seus travesseiros terá um presente das fadas do amor. Trata-se de um anel; o Anel Dourado do Amor. E quando se troca o anel com o da pessoa amada então estão prontos para morarem juntos.
Foi exatamente assim com Lorde Val, um ex-príncipe exilado - e sua amada esposa Ciana. Trocaram os Anéis Dourados no reino de Pergun, onde começaram uma nova vida juntos.
Lorde Val tinha algumas moedas de ouro guardadas e com isso comprou um pedaço de terra onde rapidamente construiu uma casa, e plantou uma horta. Em pouco tempo começou a trabalhar como cozinheiro de um conde, que por gostar muito de sua comida e principalmente de seus doces o ajudou a montar um mercado... Mercado que mais parecia uma doçaria, de tantos doces deliciosos que lá vendia.
A sua esposa Ciana trabalhava em casa pela manhã, e na doçaria-mercado pela tarde e como não tinha muitas pessoas que pudessem ficar com sua filha Steffani, a ensinava a cozinhar, lavar e a trabalhar na doçaria, e mesmo ela sendo muito nova... Nunca reclamou.
A pequenina Steffani passava muito tempo com a mãe e muito tempo com o pai, mas já tão nova não conseguia lembrar quando foi a última vez que conseguiu passar muito tempo com os dois juntos. Havia noites em que ela se esforçava para não dormir só para vê-los juntos. Ela era muito esperta, apesar da pouca idade, nem dez anos ainda, conseguiu notar depois de três noites, uma coisa que a entristeceu: seus pais mal se falavam ou faziam carinho um no outro!
Um dia antes de ir para a doçaria-mercado reparou que o Anel dourado de sua mãe não estava mais tão dourado quanto antes.
- Mãe, posso te fazer uma pergunta?
- Claro minha linda, pergunte – respondeu sua mãe a essa primeira pergunta.
- Existem muitas cores no mundo?
- Como assim menina? É claro que sim existem muitas cores... Azul, verde, vermelho...
E a menina interrompeu a resposta da mãe com outra pergunta:
- Dourado é cor mamãe?
- É sim.
- Igual a todas as outras?
- Sim...
- Então quer dizer que existe dourado claro e dourado escuro, que nem verde claro e verde escuro, ou azul claro e azul escuro?
- É isso mesmo minha filha, agora vamos embora temos que ir, lembra?
E saíram meio apressadas de casa.
A mãe para não deixar a menina no vazio sobre esse assunto de cores disse:
- Pode deixar que outro dia te compro uma caixa de lápis colorido e uma lista de cores para você conhecer todas, ta bom?
A menina respondeu que sim com a cabeça e foram pra o trabalho.
Lá ela correu para abraçar e beijar seu pai como fazia todos os dias e reparou que ele estava sem o Anel Dourado, então perguntou:
- Papai, onde está seu Anel Dourado?
- Está na gaveta da mesinha lá atrás minha filha, eu tirei para cozinhar aqui... Depois você pega para o papai?
- Claro pai – foi a resposta da menina agora mais curiosa do que antes.
Ela pensou nisso boa parte da tarde e assim que notou que não havia ninguém prestando atenção nela, foi até onde seu pai havia dito ter deixado o Anel Dourado e conferiu que ele estava mesmo lá, no entanto assim como o da sua mãe o dele também estava “dourado claro”.
Nas noites seguintes ela notou que seus pais estavam finalmente se falando de novo, mas dessa vez falavam baixinho e sempre iam ver se ela estava mesmo dormindo, ela fingia estar e eles saiam para continuar sua conversa de cochichos. Um dia sua mãe a levou para conhecer outras terras, uma mais bonita do que a outra e pediu que a pequena Steffani dissesse qual tinha gostado mais, ela fez, mas não entendeu esse “jogo de adulto”, achou sem graça.
Sabem quando eu disse antes crianças que todos são felizes em Fancia? Eu ainda não sabia de algumas coisas. Não sabia que às vezes se chora antes de conseguir sorrir e vou explicar porque:
Um dia os pais de Steffani a chamaram para conversar e contaram coisas da vida, coisas do mundo e coisas sobre o amor. Contaram que quando se quer ficar junto com quem se ama, trocam promessas de amor e se querem muito, ganham os Anéis Dourados. Explicaram também que quando o amor não cresce mais, aos poucos o anel vai deixando de ser dourado, ficando “dourado claro” e assim o amor vai sumindo com a cor até virar “prateado claro”, e é melhor se afastar antes que isso aconteça; para ninguém ficar mais magoado. Logicamente a menina não entendeu nada, para ela isso eram apenas palavras complicadas para não lhe contar que eles iam se separar. E logicamente, as lágrimas dela, naquele momento, não iam mudar a cor dos anéis de novo, porém era exatamente o que ela queria.
Uma semana depois a doçaria-mercado fechou. Seus pais dividiram tudo o que tinham - metade para cada um, e enfim cada um decidiu um lado para onde iria recomeçar a vida até se acertar ou até os anéis voltarem a ser dourados. A pequena Steffani ficou com sua mãe em Pergun enquanto seu pai foi para outro reino abrir outra doçaria-mercado, mas antes de ir ele deixou com ela uma lembrança: um colar bem bonito que ele disse ser especial, pois representava o peso do amor e da família.
- Sabe minha filha, não tem anéis para os filhos por que sempre os amaremos. Lembra disso ta? E cuide bem desse presente, pois assim cuidará bem de mim. Te amo Steff, minha pequena Lady, minha Lady Steff.
E assim partiu o ex-príncipe exilado para tentar a vida pela segunda vez. Lady Ciana, conteve as lágrimas para que a menina não chorasse mais. A menina conteve as lágrimas para que sua mãe não chorasse e também por que começava a maquinar um plano de fazê-los ficar juntos de novo. Plano esse que poria em prática assim que chegasse à casa nova; fosse onde fosse.
Agora já está tarde crianças. Vão dormir e não se entristeçam com o que acabo de contar. A história não acabou por aqui, na verdade ela apenas começou. Não precisam ficar tristes, pois naquela noite a pequena Steffani, ou Lady Steff como iremos chamá-la daqui para frente - dormiu com o colar em sua mão e teve sonhos tranqüilizadores, agora é a nossa vez de dormir, depois me digam se seus sonhos também foram bons, tudo bem? Ou digam a seus pais, que eu aposto que eles adorarão ouvir.