terça-feira, 15 de março de 2016

MEU CORAÇÃO BATE POR TI - 11


Semana 11 – Robson, a felicidade inconsequente.

 

 Um dia há muitos anos atrás, em minha adolescência, eu estava no beco de casa conversando quando me surgiram duas figuras icônicas: um menino gordinho de cabelo engraçado sendo seguido por outro menor segurando uma maleta, no maior estilo “gangster do jardim de infância”, uma figura até respeitável, não fosse a voz fina e esganiçada ao me perguntar “Charles tá aí?”. Nunca mais deixamos de rir daquela aparição em nossas vidas.

 

O pequeno chefe era Robson e só para conhecimento, o que tinha na maleta eram Tazos – fenômeno entre as crianças da década de 1990.

 

Pouco tempo depois Robson entrou para meu grupo de RPG. Era um garoto difícil, e cresceu assim, impulsivo, brincalhão, desbocado, simplista e teimoso. Um amigo como nenhum outro. Bebemos muito juntos, mas as maiores doideiras e estripulias ocorriam sóbrios.

 

Conheci sua casa, sua família e fui acolhido por eles: a generosidade e o café da dona Gilva, o respeito da Thaís (ou seria Faís?) e a jovialidade engraçada do Gilberto (e os sapinhos na barriga). Sempre que volto à Vitória, preciso ir visitá-los para que saibam que não os esqueci e os levo em meu coração para sempre.

 

Vi o garoto crescer e amadurecer (de alguma forma tinha que acontecer), o vi vencer alguns demônios pessoais e se reconciliar com seu passado, parar de beber e se amarrar a outro coração.

 

Robson é a personificação da alegria, é a figura que faz piada apesar do desconforto. É aquele que enfrenta os problemas com objetividade e diminui a importância daqueles que não pode resolver. Não sofre mais que o necessário com aquilo que pode ser resolvido depois. É parceiro, caseiro e atencioso, quando precisa, mas tem uma barrinha de energia que se enche muito rápido e precisa dispersá-la o quanto antes para que não exploda e machque alguém, sobretudo a si mesmo.

 

Sou padrinho de seu casamento, assim como ele é do meu. Estamos ligados por laços de amizade tão fortes quanto o tempo pode permitir. Nossos filhos ainda brincarão juntos e quem sabe até vençam um dragão...

 

Robson, eu esboço um sorriso toda vez que lembro de nossas besteiras e torço que mesmo com as responsabilidades da vida adulta, nunca deixemos de ser assim: bobos.

 

Sucesso com suas escolhas.

 

Eu te amo, cara.

Um comentário:

Robinho K disse...

Que lindo. hahaha A vida adulta é mesmo um negócio estranho. Quando percebemos já estamos trilhando caminhos tão opostos, distantes. Que mantenhamos firmes as boas lembranças e os laços fortes destas amizades, de quem já muito nos viu penar e nos ajudou a crescer.